sábado, 13 de maio de 2017

Pneumonia -Conheça um pouco mais.

PNEUMONIA





Respirar é essencial para a vida. 


O que é Pneumonia?

Pneumonia é uma infecção que se instala nos pulmões (órgão duplo localizado um de cada lado da caixa torácica). Pode acometer a região dos alvéolos pulmonares onde desembocam as ramificações terminais dos brônquios e, às vezes, os interstícios (espaço entre um alvéolo e outro).Basicamente, pneumonias são provocadas pela penetração de um agente infeccioso ou irritante (bactérias, vírus, fungos e por reações alérgicas) no espaço alveolar, onde ocorre a troca gasosa. Esse local deve estar sempre muito limpo, livre de substâncias que possam impedir o contato do ar com o sangue.
Daniel Deheinzelin– Basicamente, as pneumonias são provocadas pela penetração de um agente infeccioso ou irritante no espaço alveolar, onde ocorre a troca gasosa e que deve estar sempre muito limpo, sem nada que impeça o contato do ar com o sangue.
Só para ter uma ideia, se esticarmos o tecido dos dois pulmões de um adulto, o tamanho da superfície alveolar, que precisa estar o mais limpa possível, repito, equivale à área de uma quadra de tênis. A presença de uma substância estranha, de uma bactéria, um vírus ou um agente irritante, provoca uma reação inflamatória intensa – a pneumonia – que tem por objetivo expulsar o invasor.



Existem diversos tipos de pneumonia. Entre eles estão:
  • Pneumonia provocada por vírus
  • Pneumonia provocada por fungo
  •  Pneumonia provocada por bactérias
  •  Pneumonia química.

Fatores de risco

  • Fumo: provoca reação inflamatória que facilita a penetração de agentes infecciosos
  • Álcool: interfere no sistema imunológico e na capacidade de defesa do aparelho respiratório
  • Ar-condicionado: deixa o ar muito seco, facilitando a infecção por vírus e bactérias
  • Resfriados mal cuidados
  • Mudanças bruscas de temperatura.
A grande dificuldade da pneumonia é determinar o agente causador. Quando se faz o diagnóstico, que é clínico, na maior parte das vezes não importa fazer a diferenciação. Ela só interessa quando o paciente não responde ao tratamento com antibiótico de amplo espectro.

Dr. Daniel Deheinzelin é médico pneumologista. Livre-docente pela Faculdade de Medicina da USP, faz parte do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês (SP). 
Como é a febre das pessoas com pneumonia?
 A febre costuma ser alta, acima de 38º. Febre de 37,5º, aquela que precisa do termômetro para verificar se a pessoa está mesmo febril, não é o sintoma mais frequente das pneumonias.
 Quase todas as doenças respiratórias provocam tosse. Quando a pessoa deve desconfiar que ela é sintoma de pneumonia e não de uma infecção banal?
Além da tosse, é muito comum a pessoa (principalmente as de mais idade e as crianças pequenas) com pneumonia apresentar confusão mental, febre, alteração da pressão arterial, mal-estar generalizado, falta de ar e secreção purulenta. Na maioria dos casos, a degradação das células de defesa produz muco purulento de coloração esverdeado-amarelada que vai ser eliminado pela tosse.
Dor torácica é outro sintoma importante. O movimento de encher e esvaziar os pulmões, próprio da respiração, provoca dor porque eles estão inflamados. Toxemia intensa e um estado de prostração, de moleza, próprios dos quadros infecciosos também estão entre os sintomas das pneumonias.

É importante lembrar que essa doença pode ter evolução muito rápida. A pessoa está bem, mas, dali a algumas horas, a infecção se manifesta e é preciso procurar atendimento médico sem demora.
Drauzio – Às vezes, os leigos falam que a pessoa teve um início de pneumonia. Existe início de pneumonia?
Daniel Deheinzelin – Deve existir início, meio e fim, mas o diagnóstico de pneumonia não considera esses marcadores. Quando se detecta o processo infeccioso ou a radiografia revela uma infiltração pulmonar, a doença já está instalada.
É sempre bom ressaltar que alguns estudos feitos não só no Brasil, mas no mundo inteiro, mostram que não tem confirmação metade dos diagnósticos de pneumonia feitos nos prontos-socorros.
Drauzio – Como se explica esse falso diagnóstico?
Daniel Deheinzelin – As infecções de via aérea alta, isto é, as que não penetram pela traqueia, podem provocar febre e secreção de muco purulento. Muitas vezes, principalmente em situação de pronto-socorro, a radiografia não tem qualidade boa o bastante para caracterizar que os alvéolos estão comprometidos. Tudo isso somado pode induzir ao diagnóstico de início de pneumonia e à prescrição de um tratamento com antibióticos, o que pode não estar errado nessa situação clínica, apesar de a pneumonia não estar realmente instalada.
FATORES DE RISCO
Drauzio – Existe algum fator que facilite o aparecimento das pneumonias?
Daniel Deheizelin– Existem vários. O primeiro, o mais importante e o mais frequente, é o fumo. Todo tabagista corre risco maior de ter a doença, porque o fumo, por si só, causa uma reação inflamatória que facilita a entrada de outros agentes agressores nos pulmões. O segundo é o álcool. Pessoas que bebem têm a imunidade diminuída e uma diferente capacidade de coordenação do sistema respiratório.
Outro fator de risco a considerar é a existência de uma doença pulmonar prévia, por exemplo, a bronquite crônica, também presente nos fumantes. Por fim, embora menos comum, o comprometimento do sistema imunológico facilita o aparecimento de pneumonias.
Drauzio – Quem já não ouviu, muitas vezes na vida, as pessoas dizerem: “Cuidado, está frio. Coloque um agasalho para não pegar uma pneumonia” ou “Feche a janela. Essa corrente de ar é um veneno. Você acaba tendo uma pneumonia”. Existe algum fundamento para esses conceitos?
Daniel Deheinzelin – Quadros virais da via aérea superior, ou seja, os resfriados comuns, podem aumentar o risco de a pessoa ter pneumonia. Normalmente, esses quadros estão associados a mudanças bruscas de temperatura. Sair de um lugar muito quente e entrar num ambiente muito frio, ou praticar esporte e ficar com a roupa molhada num lugar frio podem ser fatores de risco para resfriados e pneumonias.
Outro dado importante para respaldar esses conselhos é que, nos meses de inverno, os casos da doença são mais frequentes. No Brasil, os números do Data-SUS são muito claros nesse aspecto.
Em última análise, portanto, tais conceitos têm algum sentido. Não é obrigatório, mas expor-se a mudanças bruscas de temperatura pode ter alguma relação com a doença.
Drauzio – O ar-condicionado funciona como fator de risco?
Daniel Deheinzelin – Certamente, funciona. O processo de refrigeração torna o ar muito seco e isso favorece a penetração dos germes na parte distal da árvore brônquica. Além disso, como o aparelho recicla o ar do ambiente, se alguém estiver eliminando vírus ou bactérias durante a respiração, mesmo que não tenha pneumonia, esses micro-organismos disseminam-se muito depressa e o ar-condicionado funciona como vetor de transmissão.
E mais: através da fala e da respiração, eliminamos partículas muito pequenas, de 2 a 5 micras, carregadas das substâncias existentes nos alvéolos.
Essas partículas ficam em suspensão, flutuando no ar. São tão pequenas que não se depositam por gravidade e o ar-condicionado encarrega-se de espalhá-las por todo o ambiente e elas funcionam como veículo de transmissão.

Drauzio – Que precauções deve tomar quem trabalha em ambiente com ar-condicionado sempre funcionando?
Daniel Deheinzelin– Deve beber muita água. Aliás, o melhor remédio para o pulmão é beber pelo menos dois litros de água por dia. Como o muco é um mecanismo de defesa do pulmão e seu principal hidratante, beber água facilita a eliminação de qualquer elemento estranho que penetre nos pulmões.
DIAGNÓSTICO
Drauzio – Febre alta, fraqueza, um pouco de toxemia, dor no peito, tosse com secreção purulenta, esverdeada ou amarelada, são sintomas suficientes para o diagnóstico de pneumonia?
Daniel Deheinzelin– Não são. É preciso caracterizar se a infecção está localizada nos pulmões. O primeiro passo para estabelecer o diagnóstico é o exame clínico do paciente. Com frequência, auscultando os pulmões, ouve-se um som característico provocado pela secreção no alvéolo. Esse som conhecido por estertor crepitante é sinal de lesão focal nesses órgãos. Ele é provocado pela entrada de ar no alvéolo que contém secreção e tende a colabar quando fecha.
Como produz um chiado semelhante ao do velcro ao ser aberto, por analogia, também é chamado de estertor em velcro.
Nessas circunstâncias, é fundamental fazer uma radiografia para confirmar a inflamação nos alvéolos e verificar se há outros fatores de risco associados, tais como o acúmulo de líquido no espaço compreendido entre os pulmões e a caixa torácica resultante da reação inflamatória ou a cavitação, ou seja, a presença de uma cavidade provocada pela reabsorção do parênquima pulmonar. Esses achados radiológicos conferem maior ou menor gravidade à pneumonia e são fundamentais não só para o diagnóstico, mas para determinar o prognóstico.
CONTÁGIO E EVOLUÇÃO
Drauzio – Pneumonia é uma doença contagiosa?
Daniel Deheinzelin– Diferentes do vírus da gripe, que é altamente infectante, as bactérias que causam pneumonia estão presentes no ar e não são transmitidas com facilidade. Portanto, não é necessário isolar o paciente.
Drauzio – Como evolui a pneumonia se convenientemente tratada?
Daniel Deheizelin– Desde que o antibiótico esteja correto, o quadro de febre e de toxemia melhora em três ou quatro dias e os sintomas desaparecem entre sete e dez dias a contar do início do tratamento, embora a radiografia possa mostrar o infiltrado até um mês depois de o paciente estar curado. Por isso, é importante dizer que o critério para declarar a cura é primeiro clínico e depois radiológico.

GRAVIDADE DA DOENÇA
Drauzio – A grande maioria das pneumonias podem ser tratadas ambulatorialmente. Em que casos, o paciente deve ser internado num hospital?
Daniel Deheinzelin– Existem alguns marcadores da gravidade da doença, que compõem escores e representam dados objetivos para avaliação do paciente. A internação hospitalar é necessária quando a pessoa é idosa, tem febre alta ou apresenta alterações clínicas decorrentes da própria pneumonia, tais como: comprometimento da função dos rins e da pressão arterial, dificuldade respiratória caracterizada pela baixa oxigenação do sangue, porque o alvéolo está cheio de secreção e não funciona para a troca de gases.
E não é só: baixa saturação arterial de oxigênio leva ao aumento da frequência respiratória, o que provoca queda de pressão e alteração do nível de consciência.
Drauzio – A pneumonia das pessoas mais velhas é sempre mais grave?
Daniel Deheinzelin – É mais grave porque, geralmente, está associada às complicações que citei. Muitas vezes, as pessoas são internadas porque o quadro requer aplicação de antibiótico por via endovenosa, durante 48 ou 72 horas, uma vez que a absorção por boca pode estar comprometida. Não é incomum pacientes com pneumonia adquirida na comunidade (que é diferente da pneumonia hospitalar) serem transferidos para UTI para receberem cuidados especiais.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

CURANDO!!!